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  • mmichelsohn

É Preciso Proteger os Fortes dos Fracos




Isso pode parecer um contrassenso, mas apenas quando não entendemos quem são os fortes e quem são os fracos. As pessoas que buscam e exercem poder sobre outras pessoas, são “os fracos”. São pessoas impotentes, com uma auto-estima tão baixa, que buscam encobrir isso com poder. Suas ações não partem de um lugar de pura criação, mas sim de uma sensação de falta e de uma necessidade de preenchimento idealizado desta falta. Os fortes, são as pessoas que agem a partir de uma intuição criativa, que não busca tapar buracos que, na realidade, não existem.



(Daniel Barenboim e Edward Said, 2002)


Por exemplo. Edward Said, intelectual Palestino e Daniel Baremboin, pianista judeu nascido na Argentina mantiveram uma longa amizade (até a morte de Said em 2003). Essa amizade, criticada por muitos, gerou frutos incríveis. Em 1999 eles fundaram a West-Eastern Divan Orchestra, no formato de um workshop, trazendo jovens músicos Palestinos, Israelenses e de outros países árabes para tocarem juntos em Weimar na Alemanha.


Os encontros se repetiram anualmente, até que em 2016 foi inaugurada a Sala Pierre Boulez da Barenboim-Said Akademie, em Berlim. Além disso, a convite de Said, Barenboim se apresentou várias vezes nos territórios ocupados, tanto em Gaza quanto na Cisjordânia. Ambos foram extremamente criticados, por movimentos Pró-Palestina e Pró-Israel.


Nenhum dos dois fez o que fizeram para ganhar fama, notoriedade ou dinheiro. Foi um puro encontro potente que resultou em criações alegres para o mundo. Barenboim ainda está vivo, e na página principal da Akademie, ele faz uma declaração curta e direta ao mesmo tempo condenando os ataques e o cerco Israelense a Gaza que já dura décadas. Veja abaixo (clique aqui para ler o original) .


Acompanhei os acontecimentos do fim de semana com horror e com a maior preocupação ao ver a situação em Israel/Palestina piorar a níveis inimagináveis. O ataque do Hamas à população civil israelita é um crime escandaloso que condeno veementemente. A morte de tantas pessoas no sul de Israel e em Gaza é uma tragédia que irá pairar por muito tempo. A extensão desta tragédia humana não reside apenas nas vidas perdidas, mas também nos reféns feitos, nas casas destruídas e nas comunidades devastadas. Um cerco Israelense a Gaza constitui uma política de punição colectiva, o que constitui uma violação dos direitos humanos.
Edward Said e eu sempre acreditámos que o único caminho para a paz entre Israel e a Palestina é um caminho baseado no humanismo, na justiça, na igualdade e no fim da ocupação, em vez da acção militar, e encontro-me hoje alicerçado nesta crença mais fortemente do que nunca. . Nestes tempos difíceis e com estas palavras, solidarizo-me com todas as vítimas e suas famílias.
Daniel Barenboim, fundador e presidente
10 de outubro de 2023

Eu trouxe um exemplo de pessoas que são famosas, porém há milhares e milhares de mulheres e homens fortes na Palestina, em Israel e ao redor do mundo dedicando a criar uma vida mais potente não apenas para si, mas para as pessoas ao seu redor. Uma pessoa potente é dadivosa enquanto uma pessoa poderosa é mesquinha.


Olhem para pessoas como o primeiro ministro de Israel, Netanyahu, o ex-presidente Americano, Donald Trump, Jair Bolsonaro ou diversos líderes fundamentalistas no oriente médio. Exibem status, acumulam dinheiro, menosprezam e ridicularizam pessoas que não concordam com eles.


Parecem homens fortes, mas não passam de vidas fracas e impotentes. Mas não se confunda: são exatamente as vidas fracas que tem os impulsos de criar mais sofrimento. PAra isso eles criam condições de rebaixamento nas sociedades onde vivem e depois oferecem uma salvação. Desta maneira, usam as pessoas para promover mais sofrimento.


É fácil lembrar de episódios como o 6 de Janeiro de 2021 no capitólio americano, ou o 8 de janeiro de 2023 em Brasília e agora os ataques do dia 7 de Outubro de 2023 no sul de Israel por fundamentalistas do Hamas e a presente retaliação do Governo de Israel, que por sua vez também é composto por extremistas. Esses homens (e perceba que 99,9% das vezes se trata de homens) aproveitam a sensação de desvalor, inutilidade e desconexão das pessoas, e oferecem uma salvação falsa, um senso de pertencimento raso, e um objetivo que, no fundo, não está em desacordo com benefício dessas próprias pessoas.


O que podemos fazer?



Há um trabalho pessoal importante e que tem consequências sociais imediatas. É preciso realizar um combate duplo. Primeiro, contra nossa cumplicidade em buscar uma salvação, um ideal, seja na figura do estado, da religião, do trabalho, da fama, do dinheiro ou de qualquer outra ilusão de finalidade, qualquer idealismo. Segundo, contra nossa crença de que temos uma falha primordial, um pecado original, que algo nos falta.


Ao nos olharmos no espelho e fazermos este trabalho, teremos a possibilidade de transformar uma vida passiva e reativa em uma vida ativa. Sair de uma vida que depende do acaso para se sentir alegre ou triste, para uma vida que diz “sim” para tudo o que acontece e extrai o necessário de cada acontecimento.


Esse trabalho não vai resolver o conflito no oriente médio no curto prazo e não adianta esperar que outras pessoas se dedicarão a ele. Muito provavelmente será uma minoria. Não importa. O que importa é que este trabalho pode fazer a diferença entre vivermos anestesiados ou enfurecidos por um lado, ou ativos, criativos e alegres por outro.


(Se precisar de apoio para lidar com essas ou outras questões, escreva para marcelo@marcelomichelsohn.com)




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