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  • mmichelsohn

Como Fazer Bom Uso do Bem Que Nos Acontece




Uma analisanda me gravou um áudio após uma reunião muito importante. Ela disse que estava tranquila pois as pessoas da reunião se conectaram entre si e com ela. Ela conseguiu testar dinâmicas novas já que o grupo não era tão grande e se sentiu energizada para fazer mais reuniões. Porém, logo em seguida, alguns pensamentos começaram a vir. “Queria poder fazer meu trabalho com esse número de pessoas mas isso não vai me sustentar financeiramente.”, “Será que meu amigo me emprestará sua sala para eu fazer a próxima reunião ou terei que alugar?”, “Será que vai dar certo novamente?”. Inspirado por esse áudio escrevi uma resposta que virou o texto abaixo sobre como aproveitar o bem que nos acontece.


Paixões Tristes, Paixões Alegres e Ações


Nossa potência pode ser preenchida de Paixões Tristes, Paixões Alegres ou de Ações (que são sempre alegres). As paixões podem ser tristes ou alegres pois elas dependem das contingências ou do acaso. Se as coisas “dão certo” eu me sinto bem, se as coisas “dão errado” eu me sinto mal.


Quando estamos na paixão triste, nosso mundo diminui. Nossa potência de afetar e ser afetado se encolhe. Quando estamos na paixão alegre, nossa potência de afetar e ser afetado aumenta. E é nesse momento que temos a possibilidade de saltar para a Ação.


Ação aqui não quer dizer necessariamente movimento ou conquistas. Quer dizer viver de uma forma ativa, querendo a vida como ela é, com corpo e mente suficientes para fazer bom uso de tudo que nos acontece.


Duas Formas De Mau Uso do Bem Que Nos Acontece

As paixões alegres geram intensidades no nosso corpo e essas intensidades ficam disponíveis para que continuemos em nosso processo de diferenciação e criação. Mas geralmente não aguentamos a intensidade e desperdiçamos as paixão alegre de duas maneiras:


1- Querendo que ela se repita e acreditando que ela só vai se repetir se fizermos a mesma coisa de antes, ou seja confundimos o acontecimento com o acontecido.




Não há nada de errado em ter memórias de coisas que “deram certo” e deixá-las disponíveis para serem atualizadas a todo o momento. A questão não é repetir ou não a coisa em si, esta ou aquela meditação, mas se essa repetição é atualizada e diferenciada dela própria ou se é uma forma fixa que tem intenção de um resultado.


A experiência aconteceu. Ela está em você e pode ser atualizada a hora que você quiser. A potência nunca quer o mesmo. Ela está sempre em diferenciação. Eu posso tomar o mesmo café da manhã todos os dias sempre me diferenciando, sempre me conectando com a intensidade que os ingredientes geram ao entrar em contato com meu corpo, ou eu posso mudar os ingredientes todos os dias mas sempre tomar da mesma maneira, cheio de intenções (emagrecer, viver pra sempre, etc) e distraído e desconectado de mim.


Então aqui se trata de celebrar e reconhecer sua experiência e usar essa intensidade e essa potência como trampolins para as próximas criações e não como lugares seguros com o rótulo “Deu Certo - Repetir”.


2- Usando a potência que ela nos gerou para descarregar nossas tensões e nos aliviar, seja através de sexo, compras, ou qualquer outra coisa que nos permita um gozo imediato e de alívio.




Nada contra sexo ou compras, mas sim o uso que fazemos deles. “Fiz um trabalho incrível. Vamos dar uma rapidinha para descarregar essa tensão.” Isso às vezes é consciente mas muitas vezes essa frase não chega a consciência mas é isso que estamos fazendo.


Nosso corpo não está acostumado com intensidade, vibração, a potência, então quando nos preenchemos de paixões alegres ele quer descarregar essas sensações pois elas são “boas demais”. São tão boas que ficam insuportáveis.


A questão aqui, novamente, não é transar ou não transar, beber ou não beber, comer ou não comer. A questão é “quem em nós está fazendo isso?”. É alguém que quer parar de sentir essa intensidade ou alguém que quer aproveitar a intensidade para continuar se potencializando? É uma parte nossa que quer sentir um prazer passageiro que nos alivia e nos deixa relaxados para dormir ou uma parte que quer sustentar o tesão por minutos, horas, dias? E aqui estou falando do tesão pela vida, por nós mesmos e não, apenas, por alguém. E de um tesão que pode ser sutil, e espalhado pelo nosso corpo inteiro e não apenas nos genitais.


Consequências do Esvaziamento das Paixões Alegres



E aí, seja pela 1a ou pela 2a forma, esvaziamos a paixão alegre e abrimos as portas novamente ao acaso para que ele defina como vamos nos sentir. Imediatamente lembramos de coisas que nos preocupam ou projetamos medo em coisas que queremos fazer no futuro. Então, qualquer coisa incômoda que nos aconteça, vamos para o ressentimento e apontamos o dedo para o outro ou caímos na má consciência e na culpa e apontamos o dedo para nós. E assim nossa potência de afetar e sermos afetados diminui e caímos no buraco.


Depois de passarmos um tempo no buraco, ou o acaso nos manda um bom encontro e nos agarramos a ele para voltar às Paixões Tristes ou nós mesmos juntamos força e começamos a escalar o buraco, mas ainda assim, buscando uma tábua de salvação externa que nos ofereça “algum remédio antimonotonia”.


Fazendo Bom Uso das Paixões Alegres





Quando acontecer algo de bom, afirme esse estado em você. É isso que está acontecendo agora. Sinta seu corpo. Sinta as vibrações, os calafrios, sem querer que eles se repitam ou que eles diminuam de intensidade. Apenas sinta, sem julgar como bom ou ruim, sem querer ficar neste estado.


Abra os olhos, deixe as cores e as formas, mais dos que os objetos e seus nomes penetrarem seus olhos. Perceba os sons que penetram seus ouvidos sem classificá-los como altos baixos, feios, bonitos, sem se apegar aos significados das palavras.


Se você escutar com carinho, uma voz falará algo de dentro de você. Pode ser algo como “tome um copo de água, sentindo o contato da água com sua boca, lábios, língua)” ou pode ser “saia e tome um banho de chuva”. Pode ser: “deite no chão gelado e fique imóvel”. Não importa. Se você puder, com prudência, faça.


E então comece a encadear um movimento intensivo (não intencional), liberado (não padronizado) ao outro, escutando o encadeamento adequado de pensamentos que se produz na sua mente.


E a partir deste lugar, que venha tudo e que estejamos com corpo e mente ativos para encontrar as forças que nos atravessam e que possamos extrair o necessário de cada encontro.


(Se precisar de apoio para lidar com essas ou outras questões, escreva para marcelo@marcelomichelsohn.com)




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