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  • mmichelsohn

Como Sair das Decisões Binárias?

Um passeio pelo mundo das infinitas possibilidades



Muitos de nós estamos presos em padrões de pensamento que limitam nosso campo de possibilidades e nos mantém presos a medos e expectativas. Mas e se houvesse uma maneira de romper esses padrões e abrir um mundo de infinitas possibilidades? E se pudéssemos tomar decisões não por medo ou desejo de resultados positivos?


Através da história de Gustavo, um diretor buscando uma nova colocação, exploramos essa abordagem e os profundos benefícios que ela pode trazer para sua vida."


“Devo falar pra minha chefe que eu estou procurando recolocação ou não? Ela é muito honesta e transparente comigo e me sinto mal por não fazer o mesmo. Mas se eu falar, vou ser colocada na geladeira.” (Gustavo, 40 anos, Diretor de Novos Negócios na indústria de alimentos)


Alguns profissionais iriam ajudar este cliente a aprofundar sua análise, colocar todos os prós e contras e então deixariam que ele chegasse a uma conclusão sozinho.


Outros seriam mais sugestivos e poderiam lançar mão de sua experiência e dizer algo como: “Não faça isso. Não vale a pena arriscar enquanto você não tem uma proposta firme para mudar de empresa.”


Meu trabalho é diferente. Eu ajudo o cliente a interromper o hábito de pensar.


É isso mesmo. Você não leu errado.


Pensar é um hábito. Analisar, fazer listas de prós e contras, criar cenários do que pode acontecer se fizer uma ou outra escolha, são padrões aprendidos ao longo da vida. E eles funcionam!


Como o mundo inteiro priorizou este tipo de pensamento, quanto melhor formos nesse modo de pensar e viver, melhor nos posicionaremos neste tipo de sociedade.


Mas eu não estou interessado nisso.


Eu quero me libertar e libertar os clientes deste padrão, desta cumplicidade com um sistema que por mais eficiente que seja, muitas vezes não é eficaz. Eficiência é fazer a mesma coisa cada vez melhor, mais rápido e com menor custo. Eficácia é fazer a melhor coisa, tomar a melhor decisão não só para você, mas para todos, inclusive para o planeta.


A extração de petróleo foi ficando cada vez mais eficiente ao longo dos anos. Mas extrair petróleo é a coisa mais eficaz para o planeta, para os animais, para nós? Hoje entendemos que o aumento exponencial de extração, refino e uso de petróleo causa consequências ruins mesmo que não tenham sido intencionais.


Como interromper o hábito:





Eu utilizo e crio uma série de ferramentas para ajudar meus clientes a interromperem seus hábitos e entrarem em um outro estado de consciência e corpo, mais propício para uma tomada de decisão livre.


Uma das vantagens deste trabalho é que os clientes passam de uma decisão binária - contar ou não contar- para um campo de infinitas possibilidades.


No caso de Gustavo, começamos com a ferramenta “E o que vai acontecer com você”. Eu pedi para ele me responder rápido, sem pensar o que iria acontecer com ele se ele contasse para a chefe sobre a recolocação.


A cada resposta, eu repetia a pergunta, sempre pedindo para ele não tentar achar a resposta certa, mas simplesmente deixar vir uma resposta, mesmo que fosse estranha ou incômoda. Ele então respondeu que ia ser colocado na geladeira, que ia ficar apático, que não ia performar, que ia ficar em depressão, que a esposa iria deixá-lo, que o dinheiro ia acabar e de repente ele falou: “Aí eu vou me reinventar. Vou dar aula e vou construir uma nova vida”.


Esse exercício nos permite mergulhar nos medos mais irracionais que estão por trás de nossas decisões, geralmente bem escondidos e exatamente por causa disso, atuando com muita força.

Ao deixar a imaginação solta durante o exercício, a pessoa vai para o fundo do buraco e então renasce. Muitas pessoas se vêem até morrendo e ainda sim voltam a vida, mesmo que seja como uma estrela ou uma árvore.


O inconsciente aqui não é um teatro fadado a repetir as histórias da infância, os traumas. Aqui ele é produtor, é um diretor de cinema com todos os recursos possíveis e imagináveis.


Neste momento eu interrompi o exercício e pedi para Gustavo pensar novamente na situação: “Imagine-se contando sobre a recolocação para sua chefe.”. “Eu me sinto mais leve” ele disse e ficou em silêncio por alguns segundos. Eu perguntei o que estava acontecendo e ele disse que estava tendo um “branco”. Eu comemorei! “Isso, fique neste branco, ganhe familiaridade com esse branco. Não fuja. Não tente pensar ou resolver.”


Então ele falou: “Nossa, me veio uma memória de infância. Eu tinha uns 10 anos e resolvi escrever e apresentar uma peça de teatro para os meus amigos durante o recreio da escola. Quando chegou a hora, ninguém quis assistir. Eu fiquei péssimo. Me achei inadequado.”


Entrando na Máquina do Tempo:




Falei para ele fechar os olhos e trazer a cena e todas as sensações desta festa de 10 anos. Então pedi que ele congelasse a cena, tirasse todo mundo de lá, menos ele mesmo. Então disse para ele de 40 anos (idade atual) entrar na cena e deixar que o menino o visse.


Ele começou a chorar e eu fiquei ouvindo seu choro, sem julgar, sem querer ajudá-lo a se sentir melhor. Apenas disse para ele deixar o choro vir.


Depois de um tempo chorando, ele disse: “Não sei o que falar para o menino. Não sei como fazê-lo se sentir melhor”.


“Pergunte para o menino”.


O menino disse que queria um abraço. Ele o abraçou e ficou com ele por um tempo.


Sugeri que ele dissesse: “Sinto muito que não tinha ninguém com você para ouvir seu choro, sua tristeza. Agora eu estou aqui. Quando você estiver bem, eu vou me despedir, mas posso voltar sempre que você precisar.”


Eles se despediram.


Eu pedi para ele voltar a pensar na recolocação e em sua chefe. Ele me disse que a questão já não era contar ou não contar pra ela, e principalmente, que o medo do que iria acontecer se optasse por uma coisa ou a outra, já não estava mais lá.


Agir a partir do medo ou de uma expectativa de bons resultados é sempre uma armadilha do nosso pensamento. É muito melhor tomar uma decisão sem medo, do que ficar tentando matematicamente acertar qual será a decisão certa.


Se quiser experimentar, entre em contato por aqui ou no marcelo@marcelomichelsohn.com


Se conhece alguém que poderia aproveitar esse texto, por favor encaminhe o link.



(Aviso importante: Os textos publicados neste blog não são recomendações médicas ou psicológicas. Procure alguém da sua confiança caso sinta necessidade. Se quiser marcar sessões comigo, escreva para marcelo@marcelomichelsohn.com)





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